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Carol Alencar
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Argentina se organizando para Pontos de Cultura

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1ª Marcha Nacional de Organizaciones Culturales Comunitarias y del Arte Independiente

1º de Noviembre en todo el país y en la Plaza del Congreso de la Nación

Reunión preparatoria: Jueves 15 de Julio,17 hs – Chacabuco 917

fecha Somos miles de experiencias en todo el país que trabajamos con el Arte, la Comunicación y la Cultura en la construcción de una sociedad más justa y lo hacemos en cada barrio y lugar de la Argentina. Con el teatro, la plástica, la música, la danza, el cine y el video, la radio y la televisión comunitaria, con la murga, con las expresiones de las colectividades, con las culturas tradicionales y con las nuevas culturas urbanas, en centros comunitarios , escuelas, plazas y barrios.
Lo hacemos promoviendo una Democracia Participativa e Integral, rescatando la identidad y proyectando una nueva sociedad con la convicción de que otro mundo es posible. Agrupados en redes, combinamos la producción estética colectiva con la organización y la gestión de circuitos culturales más solidarios e incluyentes que los del mercado formal, , dando un sentido distinto al Espacio público, como un lugar de encuentro para la felicidad y el aprendizaje comunitario.

Hacemos todo esto en nuestras comunidades y con el protagonismo de nuestro pueblo, pero con escasos y esporádicos reconocimientos por parte del Estado y los gobiernos. Lo hacemos sin una legislación que garantice la continuidad de estas iniciativas y sin poder integrar nuestro trabajo a propuestas sólidas de Desarrollo e Inclusión que promuevan efectivamente la creación comunitaria y enfrenten la pobreza y los problemas de nuestros barrios y lugares con la acción cotidiana del Estado.
A partir de nuestra lucha, y con el apoyo de cientos de experiencias latinoamericanas se encuentra en el Congreso de la Nación para su tratamiento por los diputados y senadores la Ley de los Puntos de Cultura, ya aprobada en el Parlamento del Mercosur. Una ley que puede significar el apoyo económico y técnico a miles y miles de experiencias comunitarias de arte, cultura y comunicación en todo el país si se le asigna, como planteamos, el 0,1% del Presupuesto Nacional a su implementación (alrededor de 200 millones de pesos anuales).

El próximo 15 de Julio nos estamos convocando a una reunión de Organizaciones culturales comunitarias, redes de todas las disciplinas (muralismo, teatro, música, cine, historieta, arte callejero, murga, hip-hop, etc), para trabajar en función de estos objetivos:

1. Conocer el texto del proyecto de Ley de los Puntos de Cultura, sus antecedentes y sus posibilidades de aplicación y perspectivas.
2. Conocer otras iniciativas legislativas en debate y en apoyo a la cultura comunitaria ( como la Ley de la Música, los distintos borradores de la Ley Federal de Cultura, etc…
3. Iniciar la organización de una acción nacional el 1º de Noviembre (aniversario del nacimiento de Homero Manzi en Añatuya, Santiago del Estero, hace 103 años) que instale en todo el país la presencia pública de los miles de experiencias culturales comunitarias que integramos en todo el territorio, incluyendo una marcha hacia la Plaza del Congreso de la Nación.
4. Organizarnos en equipos de trabajo para impulsar el apoyo de instituciones y referencias sociales, partidarias, religiosas y culturales a esta iniciativa y a su debate en el Congreso de la Nación.

La convocatoria es completamente abierta y las adhesiones institucionales se irán comunicando a medida que los colectivos y grupos manifiesten su opinión y aportes a esta iniciativa. Esta primera reunión es promovida por las organizaciones que impulsaron el tratamiento de la Ley de los Puntos de Cultura en el Parlamento del Mercosur, y en adelante se irán sumando todos las organizaciones que así lo decidan.
La reunión se hará el Jueves 15 de Julio, a las 17 hs, en Chacabuco 917, Ciudad de Buenos Aires, Casa de la Constituyente Social.

L@s esperamos.

Promueven este primer encuentro:
Red Argentina de Teatro Comunitario; Unión de Músicos Independientes; Federación Argentina de Musicos Independientes; Red Latinoamericana de Arte para la Transformación Social; Revista “La Mestiza” ; )elasunto( ; El Culebrón Timbal; Crear Vale la Pena; PH 15; Circo Social del Sur; Mas Color; Cruzavías; Articulación Latinoamericana Cultura y Política; Movimiento por la Carta Popular; Federacion de Trabajadores de la Cultura y la Comunicación (FETRACCOM-CTA); Plurimedio La Posta Regional; Murga Los Que Quedamos; Grupo de Teatro “Esperanza Joven”; Maldito Flanders

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Convite Cultural e Literário

Hip Hop a Lapis 2 – A literatura do Oprimido

Ponto de Cultura – O Brasil de Baixo para Cima

Presença dos autores: Celio Turino e Toni C.

Convite Lançamento Livros

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Romaria Fluvial Tremembé no Vale do Paraíba

Abaixo, um texto escrito pelo camarada Jefferson Mello.

Ontem tivemos o prazer e o privilégio de receber em Taubaté o CELIO TURINO para uma caminhada e uma navegação inesquecível. Saindo de Tremembé com destino a cidade de Aparecida, a PROCISSÃO DOS BARCOS, na sua 21a Versão, teve em seus participantes do REMADOR CÉLIO TURINO que se fazia acompanhar da Silvana.Bragatto.

O ilustre visitante pode acopanhar de perto toda demonstração de devoção do povo Valeparaibano para com São Pedro (O primeiro Papa da Igreja e que era pescador) e Nossa Senhora Aparecida (cuja imagem foi encontrada em tres partes nas águas do Rio Paraíba).

A Romaria fluvial a trouxe esta manifestação cultural resgatando a história e demonstrando a sabedoria de um povo e seu culto a religiosidade. Foram momentos de fortes emoções e que deixou Celio Turino de fato entusiasmado ao ver os pescadores do Rio Paraíba participando deste importante evento.

O cortejo fluvial saiu de Tremembé às 6hs chegando a aprecida às 15 horas. Durante o trajeto houve cantorias, ladainhas e orações. As embarcações fizeram paradas estratégicas ao londo da ribeirinha, saudando os moradores dos lugarejos e participando de alguns atos religiosos e outros tidos como profanos.

Jefferson Mello

Seguem as fotos da Romaria Fluvial Tremembé na cidade de Pindamonhangaba/SP.

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Lançamento do livro no Rio de Janeiro

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Lançamento do livro do Marcos Costa

Repassando o convite onde estarei presente…

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Alcool é muito mais prejudicial que uma arma na mão de um condutor.

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Lançamento do livro na Livraria Cultura em Campinas/SP

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Jantar em Campinas

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Célio Turino: empoderamento e protagonismo cultural

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Criado em Campinas, Célio Turino nasceu em Indaiatuba. Graduado e mestre em História pela Unicamp, é servidor público há mais de 20 anos. Quando esteve secretário Municipal de Cultura de Campinas, entre 1990 e 1992, criou as bases do que se tornaria o Programa Cultura Viva. Foi também diretor do Departamento de Programas de Lazer na Secretaria de Esportes, na gestão Marta Suplicy.

O convite para integrar a então Secretaria de Programas e Projetos Culturais do Ministério da Cultura, em 2003, na época sob a gestão Gilberto Gil, foi para coordenar um outro projeto que o governo federal pretendia lançar para a construção de centros culturais em regiões periféricas. Reconhecendo as deficiências de iniciativas do tipo, Célio Turino propôs subverter um pouco a lógica do estado apenas como provedor. Turino escreveu o projeto Cultura Viva em duas noites, em um quarto de hotel.

De passagem por Santos no dia 29 de abril para o lançamento de seu livro Ponto de Cultura – O Brasil de Baixo para Cima, Célio Turino concedeu entrevista e contou a experiência de gestão do programa de empoderamento e protagonismo que se tornou modelo para todo o continente e sobre a estreita relação entre a cultura e a comunicação. “Colocamos os meios de produção nas mãos de quem produz cultura, com estúdio multimídia, câmera de vídeo e equipamento de gravação musical. Só que, se ampliam os meios de produção, você precisa ter meios de difusão. A cultura é sempre viva e a comunicação é estratégica. Aliás, é um erro tratar a comunicação separada da cultura”, declarou Turino. Confira a entrevista na íntegra, na volta do MídiAtiva Santos.

Carlos Gustavo Yoda – Os pontos de cultura já estão protegidos de qualquer tempestade governamental? Eles passaram a fase de ser uma política de governo e atingiram seu potencial de política pública de estado?
Célio Turino - É nescessário regar mais essa planta. Há um processo. Sem dúvida o ponto de cultura está bem distribuído pelo Brasil todo. São três mil pontos, mais de oito milhões de pessoas participando desse processo. Há uma solidez, mas pode retroceder. As medidas que nós tomamos no Ministério da Cultura para evitar isso foram, num primeiro momento, o próprio sentido do programa: o empoderamento e o protagonismo da sociedade. Isso tem ocorrido. Há uma consciência da importância desse valor. E que valor é esse? É o entendimento da cultura enquanto processo e que quem faz cultura é a sociedade, não o governo, mas cabe ao estado garantir meios para que essa produção cultural seja feita de maneira diversa, autônoma e protagonista. Eu diria que o estágio, hoje, do ponto de cultura e do programa Cultura Viva é um estágio intermediário. É uma política de governo que ganhou espaço na sociedade, ganhou representatividade, mas é preciso um amparo mais sólido, a partir de uma lei, por exemplo, que garanta esse conceito e princípios do programa. Esse é o grande desafio dos pontos de cultura. Eu deixei o Ministério em 31 de março depois de cinco anos e dez meses de trabalho, tendo sido responsável pela formulação e implantação do programa neste período todo. Deixamos para um outro momento pois entendemos ser necessário levar essa discussão para um outro campo. Por isso, talvez eu me apresente nestas eleições como pré-candidato a deputado federal, para levar adiante essa bandeira.

Yoda – E quais são os outros desafios ainda não vencidos ou não enfrentados?
Turino – O grande desafio é que essa proposta é inovadora e rompe com a lógica do estado. O estado é concentrador e impositivo por excelência e os pontos de cultura pressupõe o descontrole, a desconcentração, o estabelecimento de uma relação entre estado e sociedade que seja em outras bases, com novos paradigmas. Por exemplo: do estado que desconfia e controla para um estado que confia. A confiança é uma relação de mão dupla. A sociedade participa. Muda em essência a democracia. Vivemos uma democracia que é transferidora de responsabilidades. O ponto de cultura exige muito da sociedade, que ela se aproprie dos meios de gestão do estado, quando realiza um convênio, uma prestação de contas, esses mecanismos de acompanhamento. Mas no entendimento de prática cidadã, é um exercício necessário, que precisa ser colocado. Falando na condição de historiador, uma pessoa que estuda política pública, eu diria que o ponto de cultura é um passo além no orçamento participativo. O orçamento participativo é um grande avanço que o país conquistou em algumas prefeituras, a partir da experiência de Porto Alegre, mas ainda assim tem limites. A sociedade é chamada a dizer o que precisa, o que quer. O ponto de cultura convida as pessoas a dizerem como querem fazer. Enquanto estudo de ciência política e filosófica acerca da gestão de relação entre estado e sociedade, o ponto de cultura pode ser observado neste sentido.

Yoda – Depois dos primeiros editais do Cultura Viva, o Ministério optou por editais temáticos com classificações específicas aos pontos. Vieram os pontões, os pontinhos. Essas classificações não atrapalham o processo? Quero dizer, quem é ponto não se entende menos do que o pontão?
Turino – O ponto de cultura tem a questão da brincadeira, do lúdico, muito forte. O pontão, pontinho, ponto, griô. Inventamos esses nomes com a perspectiva do lúdico. Areté, por exemplo, foi um edital para eventos. Era um edital para pequenos eventos. o nome era esse: Edital para Pequenos Eventos. Já estava correndo o edital, mas decidimos mudar. A equipe pesquisou e encontrou essa expressão: Areté. Em tupi significa “dia festivo” e em grego significa excelência ou virtude. Olha que beleza! A mesma palavra com troncos linguisticos absolutamente separados. É uma ótima definição. Um dia festivo da excelência e da virtude. Nós buscamos, portanto, essa construção narrativa. Agora, o importante é manter os pontos de cultura sem distinção de hierarquia. O pontão de cultura tem um papel de ser articulador, capacitador e difusor na rede. Aí ele pode ter um recurso maior e tem mais atribuições. Pode ser um pontão de teatro em comunidade, cultura e meio ambiente, recorte em genero, para povos indígenas (como o Índios Online ou Vídeo nas Aldeias). Mas o pontão não estabelece relação de subordinação com os pontos. O que há de positivo nessa história é que o ponto de cultura estabelece uma quebra de hierarquias e estabelece novas legitimidades. Por que? Note para o detalhe: todos os pontos recebem o mesmo valor, sessenta mil reais, seja no interior do Ceará, na floresta amazônica, ou com um grupo de universidades, música colonial barroca ou com uma folia de reis. É um pouco a ideia de estabelecer determinados padrões de igualdade, onde todos estão em uma mesma plataforma, sem distinção de hierarquias e culturas. A cultura é muito classificada, é muito adjetivada: cultura erudita, cultura popular, cultura de massa, cultura urbana, de rua. Na verdade, o que é praticado no ambiente dos três mil pontos de cultura é só cultura. Tudo está no mesmo campo.

Yoda – E os pontos de mídia livre. De onde parte essa demanda?
Turino -
Já lançamos uma segunda edição. Eu avalio que o ponto de mídia livre pode apresentar um bom caminho de como as políticas públicas podem tratar a comunicação. Aí ele deveria ser interpretado como uma categoria para além do ponto de cultura. Os pontos pressupõe uma produção sedimentada em grupos e localidades. Colocamos os meios de produção nas mãos de quem produz cultura, com estúdio multimídia, câmera de vídeo e equipamento de gravação musical. Só que se amplia os meios de produção, você precisa ter meios de difusão. A cultura é sempre viva e a comunicação é estratégica. Aliás, é um erro tratar a comunicação separada da cultura. A comunicação só existe porque ela transmite alguma cultura, qualquer que seja. E a cultura só existe porque é reproduzida e comunicada. O correto seria estarem em um ministério só no governo federal. Hoje se trata a comunicação de outra forma, como meio e técnica. Comunicação é um direito humano básico. Uma das definições sobre os seres humanos é que o homem é um animal que produz expressão simbólica, produz símbolos. O que é isso? Só se produz símbolos se há comunicação. Não há como separar da cultura. Ao separar, a comunicação fica aprisionada pelos meios econômicos e de poder. Fica subordinada à essa ideia de informação como mercadoria. Aliás, eu também aprendi a não chamar de grande mídia essa mídia estabelecida. Eu chamo de mídia mercadoria. E a mídia livre é uma possibilidade de mediação e comunicação da sociedade, livre de amarras, que promove esse processo de encontros e interpretações. Esse é o papel de uma mídia efetivamente livre, indispensável para a democracia, para a própria radicalização da democracia. Não podemos entender a democracia como um dado único e acabado. Tem sentidos diversos, é uma construção histórica. Se nós, enquanto sociedade, que pensamos no aprofundamento democrático de mudança no processo de relação entre e estado e sociedade, não discutirmos isso em profundidade, não vamos chegar a lugar algum. Então, em primeiro lugar, era necessário promover o reencontro entre cultura e comunicação. A política deveria ter um sentido único. Note que isso não ocorreu. Eu diria que uma das grandes contradições visíveis do governo do presidente Lula é a política cultural que foi em um caminho e a política do Ministério das Comunicações, que foi para outro. Chegaram acontecer situações como a histório de um ponto de cultura na favela de Heliópolis, em São Paulo, que tinha como base de suas ações uma rádio comunitária. Eles renovaram todo o equipamento da rádio que estava no ar, sem concessão pública. E tempos depois a rádio foi fechada pelo próprio governo. Depois chegamos a bom termos e a rádio de Heliópolis está muito bem. Mas até o jornal Estado de S.Paulo apontou a contradição. Foi a única vez que ganhamos um editorial nesta mídia mercadoria. Evidentemente, condenaram o fato do Ministério da Cultura ter financiado uma rádio que ainda não tinha concessão. Mas eles não falam que a rádio comunitária teve um papel fundamental na recuperação urbana na maior favela de São Paulo, na redução da violência, na pacificação de um ambiente bastante degradado. Eles não falam isso.

Yoda – E de que forma você pensa que essas políticas de comunicação livre poderiam avançar?
Turino –
Eu não participei da Conferência de Comunicação, mas acompanhei com muita atenção. Não só na condição de secretário da Cidadania Cultural do MinC, mas também de alguém que pensa gestão pública e políticas públicas. Penso que o caminho para fomentar uma mídia livre e democrática, que fosse realmente efeciente, não é da disputa das verbas publicitárias. Nós deveríamos conseguir junto a todo esse campo do midialivrismo, essas mídias alternativas, sites comunitários, a voz do próprio protagonista, deveriam trabalhar para inserir a mídia livre enquanto um direito inalienável, direito humano básico, que é feito pela sociedade, sem controle, mas cabe ao estado garantir mecanismos de seu funcionamento. Eu gosto de trabalhar com algumas equações matemáticas. O próprio ponto de cultura tem muito de matemática, mas isso fica para uma outra entrevista. Fazendo umas continhas e observando algumas lógicas de aplicação de recursos, eu vi que o edital de mídia livre do programa cultura viva aponta um outro caminho. São prêmios que rádios comunitárias, blogs ou TVs recebem para aplicar na ação deles sem que haja qualquer necessidade de contrapartida ou subordinação. Com a publicidade não funciona assim. Investimos pouco. Foram quatro milhões em cada edição do prêmio. Mas por que não pensar em garantir uma lei da mídia livre, garantir que vinte porcento da publicidade oficial fosse destinada ao financiamento de uma mídia de caráter comunitária, não vinculado a corporações econômicas e que fossem selecionados por editais. Com isso conseguiríamos algumas centenas de milhões de reais. Um outro caminho, que ninguém olhou esse campo e que é um meio de cooptação da imprensa escrita, são os editais. Há a obrigatoriedade da publicação de editais em jornais e este é um forte subsídio público a essa imprensa. Tanto que percebo isso quando fomos lançar um edital para a contratação de um consultor por um organismo internacional como o PNUD. Às vezes um anúncio equivalia a um terço ou mais do valor do contrato. Isso porque se inventou uma tabela fictícia para os governos publicarem editais. O preço é três, quatro, cinco vezes maior do que o preço de mercado. E isso hoje é absolutamente desnecessário. Poderíamos, por exemplo, criar um portal público na internet para esses editais. Se transpusermos essa lei da mídia livre para as prefeituras, podemos avançar ainda mais. A sobrevivência dos pequenos jornais é se vender para o governo de plantão. É a primeira vez que passo a ideia desse jeito. Não tínhamos o dinheiro para fazer algo desse tamanho. Mas conseguimos junto ao Fórum de Mídia Livre desenvolver essa proposta e temos obtidos excelentes resultados. Na Conferência de Comunicação, o debate sobre o controle social tomou muito espaço. Eu prefiro o caminho do descontrole, uma outra relação que possa chegar ao equilíbrio. É a mesma ideia do ponto de cultura. Buscamos zonas libertadas da produção cultural. Precisamos dessas zonas libertadas também na comunicação. Para o processo de revolução social, essa é uma guerrilha simbólica que está sendo travada. Ela é essencial. Talvez seja chave. O centro da luta de classes (que está fora de moda, mas enquanto existir rico, pobre e exploração, existirá luta de classes) se deslocou de dentro da fábrica para o controle da narrativa. A sociedade contemporânea impede a realização da narrativa. Na sociedade da informação, com a internet, esse impedimento é maior ainda. Um monte de informação não significa que há processamento. Narrativa significa conseguir olhar para o passado, a história, as raízes e projetar o futuro. É conseguir fazer um desenho no ar e criar um roteiro de vida, individual, de grupo e de sociedade. Se olharmos o sistema de controle econômico e político, ele impede essa narrativa.

Yoda – Mas isso está em transformação? A política caminha para um processo mais dialógico ou ainda estamos distantes deste cenário?
Turino -
Eu diria que temos avançado. Posso ser suspeito por ser o cara que pensou o ponto de cultura e regou cada um com muita atenção, mas dizendo como alguém que pensa o assunto, eu diria que sim. Encontramos resposta em muitos cantos da sociedade. O que eu viajei por aí e ouvi que os pontos eram o que sempre precisamos. Não estávamos conectados. Num dado de circunstância, termos um presidente como o Lula e um ministro como o Gil abriu uma fresta que foi por onde eu entrei, ao lado de tantos outros. Todo dia eu pensei em botar a minha cunha ali e abrir mais essa fenda. Mas essa fenda precisa ainda ser escancarada. O estado tem que ter um outro padrão. Precisamos de mudanças de paradigma. É questão de salto civilizatório. O Brasil e o mundo estão em uma encruzilhada. Esse modelo não cabe mais. Tem muita coisa errada ainda.

Entrevista publicada originalmente em www.midiativasantos.com

Agradecimento especial ao reporter Gustavo Yoda

Postado por Carol Alencar

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