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O historiador Célio Turino é o secretário da Secretaria da Cidadania Cultural do Ministério da Cultura. Ex- secretário de Cultura do município de Campinas (gestão 90/92), SP, foi diretor do Departamento de Programas de Lazer na Secretaria de Esporte da cidade de São Paulo, (gestão 2000/2004), Célio Turino foi convidado pelo então ministro Gilberto Gil para iniciar um projeto de parceria com as ações culturais que existiam na sociedade brasileira. Na antiga Secretaria de Programa e Projetos Culturais do MinC, a idéia do Do-in Cultural virou Ponto de Cultura, tomou corpo e sustentação sob sua gestão.
Hoje são quase mil Pontos de Cultura. São quase mil ações de brasileiros reconhecidos pelo Ministério da Cultura e as secretarias de Cultura dos estados do país. O projeto virou Programa Cultura Viva com desdobramentos políticos sobre questões da Saúde, Comunicação, Economia Sustentável, Meio Ambiente, transversalizando uma máquina federal dura, antiquada e estanque. Dessa experiência surgiu o livro “Pontos de Cultura – O Brasil de Baixo Para Cima”, lançado no início do mês em São Paulo e que será lançado em Brasília, no dia 24 de novembro, e em Campinas, SP, no dia 30 de novembro.
A seguir uma entrevista com o secretário Célio Turino onde conta sobre o futuro dos Pontos de Cultura e sobre o trabalho de escrever um livro relatando essa experiência.
Os Pontos de Cultura são uma experiência nova na relação Estado/população. Você acredita que esse tipo de parceria é uma tendência no mundo?
Célio Turino: Sem dúvida, o que mais tem chamado atenção para os Pontos de Cultura, é esta nova relação mediadora entre Estado e Sociedade. Percebo que há um ambiente propício na América Latina, porém, no velho mundo, noto até mesmo uma dificuldade em compreender esta necessidade, principalmente por parte dos governos, ainda presos a velhos conceitos e formas de governar
A cultura das ruas é criativa e ágil, como o Estado pode se modernizar para acompanhar as mudanças?
CT: Ponto de Cultura é um exemplo desta nova postura do Estado, mais ágil e legitimando manifestações antes não consideradas como cultura.
Muitos integrantes dos Pontos de Cultura gostariam de saber como manter o projeto independente de questões partidárias. Quais são as ações do MinC nesse sentido?
CT: Os Pontos de Cultura precisam se fortalecer enquanto movimento, pois essa é a principal garantia de perenização do programa; por outro lado, avançamos na descentralização do programa, envolvendo outros níveis de governo que não apenas o federal e caminhamos para a formulação de uma lei do protagonismo e autonomia cultural, que, do meu ponto de vista, deve vir por iniciativa popular, com abaixo assinado e tudo, sem que seja apropriada por nenhuma pessoa. Ou seja, a maior garantia está nas próprias pessoas.
Questões burocráticas são o grande entrave na participação dos grupos culturais espalhados pelo país. Como você vê esses problemas e quais as possíveis soluções?
CT: Avançamos muito com a descentralização da rede de Pontos, via governos estaduais ou de grandes municípios, mas a grande mudança só acontecerá com mudanças mais profundas, de paradigmas de Estado. Um Estado educador, ampliado e amalgamado com seu povo, para mim, é o caminho. De certa forma, é o que exercitamos com os Pontos de Cultura.
Os Pontos de Cultura tratam de cultura, educação, meio ambiente, saúde, sustentabilidade, cultura digital e cidadania em suas localidades. Como transportar essa experiência para um Estado departamentado?
CT: Por isso mesmo o Ponto de Cultura tem despertado tanto interesse, na ponta, no território, essa trasnversalidade acontece com mais naturalidade, mas ainda há um caminho a percorrer.
O livro Pontos de Cultura – O Brasil de baixo para cima é um livro documental ou uma narrativa da experiência a frente do projeto? Quanto tempo demorou para escrevê-lo?
CT: Acho que neste livro são 3 Célios que se apresentam, o gestor, o militante político e o historiador; intercalo capítulos mais narrativo/poéticos, com outros mais analítico/conceituais e, ao fim, eu próprio me reencontro e descubro quem sou. Tudo isso está no livro. Escrevi durante uns 4 anos, quase todo em aviões e hotéis; em minhas viagens pelo Brasil afora (e fiz muitas viagens) ia registrando e refletindo sobre o que via.
Serviço:
Lançamento do livro Pontos de Cultura – O Brasil de baixo para cima
Dia 24 de novembro, 19:30h, na Livraria Cultura Casa Park Shopping – SGCV Sul lote 22, Brasília, DF
Dia 30 de novembro, 19h, na CPFL CULTURA, Rua Jorge Figueiredo Corrêa, 1632- Chácara Primavera – Campinas, SP
Fone: (19) 3756-8000

3 Comentários
A cada encontro e ouvir Celio quando fala do Pragrama Cultura Viva e dos Pontos de Cultura nos vários encontros entre TEIAS e reuniões da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura nos faz ter orgulho deste brasileiro que mudou com seu encanto o futuro do Brasil. Um sonhador, pesquisador, gestor, companheiro da luta e dos movimentos culturais do nosso Brasil. Você está escrevendo sua história, que será contada por muitas gerações nos tambores, cantos, danças e afoxés que manifestam por este país a fora. Viva os Pontos de Cultura do Brasil!
Otizete
Um dos momentos mais emocionantes da minha vida foi quando cruzei o Amazonas, de Macapá em direção ao Afuá, na ilha do Marajó. Houve um momento em que não via margem alguma, as ondas fortes, o barco chacolhando no meio de uma baia. Depois a chegada, a recepção no ancoradouro, a cidade em palfitas, as bicitaxis, pois lá não circulam carros. Antes disso, as comunidades ribeirinhas acenando para nós. Lembro-me das apresentações artísticas, do carimbó; no dia seguinte, o debate com a comunidade, o momento em que falei (e ouvi) sobre a civilização marajoara, as grandes cidades com suas redes de esgoto construídas há mais de mil anos, a cerâmica. Também lembro muito do nome da cidade, Afuá, o espirro de água que sai do boto; Afuá, a cidade que conversa com o boto, na imensidão da amazônia.
Otizete,
Toda essa emoção foi proporcionada por vc e todos do Navegar Amazônia, aqui, quem tem que agradecer, sou eu.
Célio Turino
Célio
Estar no lançamento do seu livro na CPFL Cultura, em Campinas, foi de muita emoção para mim.
Junto com você, Célio, eu chorei e rí. Sua emoção é verdadeiramente contagiante.
Em você pude ver “efetiva incorporação dos instrumentos culturais, transformados agora em elementos ativos de transformação social” (Saviane, 1982).
Só me resta começar a lê-lo. Já sei, de antemão, que será prazeroso conhecer suas “andanças” por este nosso país.
Indicarei para todos!
Forte abraço
Márcia