Agenda da Semana…

Agenda da Semana…

Quinta-Feira (1º de Julho)

Campinas/SP

17h – Encontro com Dilma

Amparo/SP

19h30 – Apresentação do vídeo (10 minutos) sobre os pontos de cultura do circuito das águas (realizado pelo CINECULTURA);

19h45 -Palestra com Celio Turino – TEMA: “Existe turismo sem cultura? e Livro Pontos de Cultura e

20h30 – Autógrafos e, durante, música com o Ponto de Cultura de Pedreira – os Violeiros de Pedreira.

21h – Coquetel e encerramento

Sábado (3 de Julho)

CAMPINAS/SP

13h às 20h – churrasco da Leci

AMERICANA/SP

12h30 às 19h – Recepção da seleção feminina de futebol e entrevista para a TV Palestina.

Segunda-Feira (5 de Julho)

CAMPINAS/SP

19h – Lançamento do livro “Pontos de Cultura: O Brasil de Baixo Para Cima”
Local – Livraria Cultura – Av. Iguatemi, 777

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X – Meios de Difusão

X – Meios de Difusão

Os meios de difusão e comunicação fazem parte da própria razão de ser do programa Cultura Viva, não podem ser confundidos como mera divulgação institucional, mas como ferramentas sensíveis. Na formulação do programa Cultura Viva, essa preocupação estava presente desde o início:

“O Cultura Viva é, sobretudo, um programa de mobilização e encantamento social [...]. O sucesso do programa envolve a interação, a troca de informações e a ampla distribuição do conhecimento [...]. Tal qual os Pontos de Cultura, os meios de comunicação e difusão precisam ser compartilhados com todos os participantes do programa”.

Logo no início já estava previsto um conjunto de meios para a apresentação de experiências e iniciativas dos Pontos de Cultura. Surge o programa Cultura Ponto a Ponto, exibido pela rede pública de TV, com mais de 120 Pontos de Cultura documentados até 2009. Um programa de rádio; surge a web radio Cultura Viva, gerada pelo Pontão Mapa dos Pontos e disponibilizada em portal, para que as pessoas ouçam os programas diretamente pela internet ou o retransmitam, via rádios locais, públicas ou comunitárias. Foi realizada uma série de interprogramas (programas com até 3 minutos de duração, exibidos no meio da programação normal de TV), mais de 60, exibidos pela TV Brasil e pelo canal Futura. Uma revista; surge a revista “Raiz”, em parceria com uma editora privada, com venda em banca de jornais e revista eletrônica, via web. Totem e Banners nos Pontos a identificarem visualmente a rede (houve a iniciativa, mas que não se completou); série de Cartazes (foi editada uma série de jornais murais, mas não exatamente como na ideia original, faltaram os cartazes como peças gráficas a expressarem valores); quem sabe no futuro.

Como linhas de comunicação não previstas originalmente, surgem mais três programas de TV, Ponto Brasil, Amálgama Brasil e Cidades Invisíveis. O Ponto Brasil é uma experiência de produção colaborativa de TV, uma formação em processo, que envolveu mais de 100 Pontos de Cultura na produção de conteúdos e narrativas originais; ao mesmo tempo, pesquisa, formação, experimentação e difusão; um caminho novo para a própria TV pública. O Amálgama Brasil surge de uma parceria com Jorge Mautner, músico e poeta que acompanhou diversos Pontos de Cultura; unindo-se ao conceituado produtor audiovisual Luis Carlos Barreto, eles realizam uma série que vai além da documentação do trabalho dos Pontos, promovendo uma interação com artistas e intelectuais, uma amálgama de fato, como desejava José Bonifácio de Andrada, nosso patriarca da independência. O Cidades Invisíveis começa como produção regional, no estado de Minas Gerais, e revela detalhes não percebidos das cidades, uma produção colaborativa entre Pontos de Cultura e a Rede Minas. E muitas outras iniciativas que se desdobram pelo Brasil afora. Programas de rádio; programas em TVs regionais, como em Pernambuco; o cinejornal, blog e mural do Cuca da UNE; o coletivo de comunicação do MST; o Nossa Casa, no Amapá… E tudo mais que possa tornar cada vez mais viva a cultura viva do Brasil.

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Espero por todos vocês…

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VI – Cultura e Saúde

O menino e a menina

“Era uma vez um menino que gostava muito de sorrir.
Um dia a doutora disse que ele não podia mais sorrir e deu um remédio, que ele ficou triste demais.
Ele passou muitos dias e muitas noites sem sorrir e nem conseguia sonhar, era só choro e pesadelo. Era só tristeza.
Até que outro dia, uma menina tirou uma foto dele e quando ele viu aquela cara triste na foto, ficou apavorado e prometeu que agora ia sorrir.
Todo dia que a menina olhava para ele e mostrava a foto, ele lembrava que devia sorrir e sorriu tanto para ela que foi ficando feliz.
Ele se acostumou e toda vez que pensa nela, pode até estar triste, que ele fica feliz de novo. Ele gosta muito da menina”.
(Gilmar, 5 anos, história contada em um hospital)

Cultura e Saúde é a menina tirar uma foto e fazer o menino feliz. Pode ser em um hospital, também pode ser em um terreiro. O conhecimento do segredo medicinal das plantas, a garrafada que é remédio e vem junto com reza. Dona Albertina, quilombola do Campinho, é uma farmacêutica natural, uma sábia de sua comunidade. Ela sabe que cabelo de milho é usado “para baixar a pressão” e camomila serve para “dores de barriga, cólicas intestinais e inflamação na pele do bebê, além de sedativa e servir contra alergias”. Confrei é “cicatrizante”. Erva de Santa Maria “combate os parasitas do intestino”. Dente-de-leão “é bom diurético e recomendado para quando o peito da mulher fica empedrado na amamentação”. Erva-doce é “contra azia”. Macela “é digestiva”. Sálvia “para gengivites e afta”. Goiaba “para lavagens vaginais e chá para febre e diarreias”. No dia do parto, algodão “para evitar hemorragia, para dar banho na mulher e aumentar o ritmo das contrações”. O parto em casa, humanizado, Cais do Parto, uma rede de parteiras.
As rodas de cura e a dança circular. As Meninas de Sinhá, que um dia resolveram fazer algo mais que ficar em casa reclamando da velhice e se juntaram para cantar músicas de sua infância e juventude. E riem. E a dor vai sumindo.

Uma nova rede, 60 grupos e Pontos. Do Grupo Hospitalar da Conceição e seus dez Pontos de Cultura, em Porto Alegre, às aulas de arte do Olga Kos e suas crianças com síndrome de Down. O tambor da saúde da Tainã e os jovens que orientam adolescentes na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Montamos a rede Cultura e Saúde a partir de um prêmio (R$ 15 mil para cada organização ou Ponto de Cultura). Houve a cerimônia de premiação, um seminário, troca de experiências. Pronto. A rede está montada, uma nova Ação. Agora eles se conhecem, conversam. E passam experiência para os outros.

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VII – As dimensões da cultura

Entender a cultura como processo pressupõe entrelaçar as diversas dimensões da vida. Com a posse do ministro Gilberto Gil o ministério adotou um conceito ampliado de cultura, antropológico, cultura como produção simbólica, cidadania e economia. O programa Cultura Viva e o Ponto de Cultura partem desse mesmo conceito, mas com o desenvolvimento do programa percebi que era necessário ir além.

A dimensão da arte não pode ficar restrita ao campo do simbólico. Para além da produção de símbolos, a arte envolve habilidades, todas as habilidades humanas (do latim artem, habilidade) e a apreensão dos significados por meio dos sentidos, por meio de uma percepção sensorial. O Ponto de Cultura envolve uma quebra nas narrativas tradicionais, monopolizadas por poucos, e a partilha do sensível é estratégica para este deslocamento narrativo, em que os “invisíveis” passam a ser vistos e a ter voz. Não se trata aqui da defesa do “belo universal” ou da “arte gratuita”, metafísica, mas da própria realização da estética. A arte reflete aspirações e contradições do seu contexto histórico e é, ao mesmo tempo, produto e vetor das transformações sociais. Para além da preocupação exclusiva com a beleza, busca-se tudo aquilo que permita a afirmação cultural da subjetividade das pessoas, grupos e classes sociais. E essa busca deve ser feita com encantamento, beleza e qualidade, pois sem estes atributos não se rompem barreiras e os estereótipos permanecem.

O mesmo ocorre com a dimensão cidadã. A conquista plena de direitos e a inclusão no diálogo cultural são essenciais; mas circunscrever Ponto de Cultura à dimensão de cidadania ou da cultura popular é uma redução. Mais grave são os discursos fáceis da “inclusão cultural” ou da “inclusão social por meio da cultura”. Ponto de Cultura atua com cultura popular, inclusão social e tem um claro papel na cidadania, mas ele é, sobretudo, um programa de cultura. Cultura como interpretação do mundo, expressão de valores e sentimentos. Cultura como intercompreensão e aproximação. Neste sentido seria mais apropriado classificar a ação do Ponto de Cultura no campo da ética.

Com a economia também é preciso ir mais fundo. Que economia queremos? De um lado há a economia da cultura (pesquisa do IBGE aponta que 8% do PIB advêm da cultura), é fato. Mas em que contexto se insere a chamada “economia criativa”? O capitalismo se apropria de todas as riquezas e bens produzidos sobre a face da Terra (e também sob; e, no futuro, se puder, para além do planeta) e as transforma em mercadoria, sejam bens sólidos ou imateriais. Inserir a cultura nesse processo de mercantilização e alienação da vida não é o objetivo do Ponto de Cultura. Em Pontos isolados, quando falta aprofundamento sobre qual o sentido da economia, o pragmatismo e a submissão ao mercado até acontece; ou, se não acontece, se deseja (até porque os que querem se vender nem sempre encontram compradores), mas o caminho de uma rede social da economia vai em outra direção. O entendimento que está sendo construído no processo é que, se a economia determina a cultura, a cultura também determina a economia. Ao adotar uma nova atitude cultural podemos modificar as relações econômicas, abrindo caminho para uma economia solidária, com consumo consciente, comércio justo e trabalho colaborativo. Vejo a fagulha dessas novas relações econômicas, sobretudo na Teia, com o encontro dos Pontos de Cultura e os Núcleos de Economia Solidária, do Ministério do Trabalho.

Ponto de Cultura é integração na diversidade. “A parte está no todo, o todo está na parte”; a física quântica comprova esse conhecimento milenar, que foi abandonado pela fragmentação da vida. Passados cinco anos de implantação dos Pontos de Cultura, observo que a reaproximação entre estética, ética e economia é essencial para a organização da vida humana e pode cimentar uma nova significação para a cultura e para a própria sociedade. Não há como separar um do outro, os 3 “E” da cultura:

Ética.
Estética.
Economia.

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Abuso verbal pode ser também horrorizante.

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fala do ponto Baú Nordestino…

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Pontos de Cultura chegam ao Uruguai

Uruguai saiu na frente, entre os países da América Latina, e
lançou, durante os dias 11 e 12 de junho, seu programa nacional de
Pontos de Cultura. O secretario de Cidadania Cultural (SCC-MinC) TT
Catalão estava presente no evento, que reuniu autoridades da política e
cultura em Montevidéu, Uruguai.

O Programa uruguaio irá se chamar Rede Uruguaia Latino-americana de
Arte para a Transformação Social (RULATS), integrando a rede
Latino-americana de Arte para a Transformação Social (RLATS), e
expandindo os conceitos do Programa Cultura Viva para uma nova realidade
sociocultural.

Segundo texto de apresentação da RULATS, a ideia fundamental é
possibilitar o desenvolvimento de ações culturais sustentadas em
princípios de autonomia, protagonismo e integração social.

Para o secretário TT Catalão, a experiência brasileira será usada não
como fórmula, mas como processo. “Os latino-americanos cansaram da
tutela e do arbítrio, agora buscam uma nova construção, mais generosa.”
Além da apresentação, o evento promoveu cursos, painéis e apresentou
atrações artísticas. Os temas principais foram saúde, integração social,
diversidade e patrimônio cultural.

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Eles necessitam de você.

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V – Pontinho de Cultura

V – Pontinho de Cultura

“O que é, o que é?
Quando se perde
Não se encontra mais?”
(Resposta: O Tempo)

Entre adivinhas, brincadeiras de rodas, construção de brinquedos, jogos e brincadeiras cantadas, o Ponto de Cultura Bola de Meia, no Vale do Paraíba, em São Paulo, desenvolve sua ação. Virou Pontão. E ação dos programas Cultura Viva e Mais Cultura.
Um casal, Jacqueline Baumgratz e Celso Pan, se juntou com músicos, poetas, psicólogos, educadores. Gente com o mesmo propósito e formação dos dois. Surge um Ponto de Cultura. Moram em um sobrado, ofereceram sua própria casa; embaixo, as instalações; ao fundo, um teatro bem funcional, mais algumas salas, administração e quintal (sempre é bom ter um quintal para brincar); e recebem crianças, muitas crianças. Com o coração:

“Eu hoje andei por aí
e descobri como as coisas são
e tudo que eu vi não era igual

as flores são
diferentes
os bichos são
diferentes
e a gente é
diferente

E o que temos de igual?
É o coração que bate assim
Tum tum; tum tum”. (Poema de Jacqueline Baumgratz)

Cultura infantil, ludicidade, brincadeiras. Somos Ludens, Homo Ludens, disse o filósofo Huizinga. Para ele, “a essência do espírito lúdico é ousar, correr riscos, suportar a incerteza e a tensão”. Um aprendizado que praticamos desde criança. Depois nos formatamos. O sentido da ação Pontinho de Cultura é reencontrar este espírito, restabelecer vínculos intergeracionais e perceber a criança enquanto produtora de cultura, quando realidade é imaginação.
Novamente uma rede, aberta e variada. Há muita gente fazendo muita coisa bacana para as crianças. E com as crianças. E as crianças por si mesmas. Dona Edna, em uma vila de pescadores, na saída de Maceió, abriu sua casa para receber as crianças, hoje ela mora em um quarto, tudo mais é Ponto de Cultura, ou Pontinho, seu Poleiro dos Anjos. E Garatuja, com os primeiros rabiscos. E ambientes lúdicos no hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba, quando crianças com câncer só têm o hospital para brincar e veem o mundo pela janela de seus quartos. Mesmo assim brincam, se divertem. Em qualquer hospital os Doutores da Alegria podem chegar. Pelo interior do Brasil, crianças continuam correndo atrás de Sacis, ficam atentas aos redemoinhos e enlaçam esse menino esperto de uma perna só, brincam com nossa tradição, Sosaci. Por aí vão os Pontinhos, uma rede com 215.

O Pontinho é o locus, seja um espaço físico ou estado de espírito, em que a cultura infantil se desenvolve. Não a cultura que o adulto passa para a criança, mas a cultura do próprio ambiente infantil. A cultura em que a criança de oito anos ensina a de seis e a de seis, a de quatro; o primeiro estágio de uma consciência grupal. Se a brincadeira infantil representa, muitas vezes, a imitação dos adultos, sua transmissão é feita pelas próprias crianças e assim ela se mantém. Há preconceitos que acompanham essas brincadeiras? Sem dúvida. Mesmo assim, melhor “deixar fazer”, assegurar o espaço da plena liberdade, criando ambientes de compreensão comum e amizade. Deixemos as crianças brincar e que elas descubram o mundo com suas brincadeiras. E brinquemos com elas. Ponto.

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